terça-feira, 22 de julho de 2008

A lembrança do que não foi

Ela se sentou na sacada sob a luz do sol enquanto observava distante aquele que entrara em sua vida sem pedir licença. Ela sorria envergonhada sem entender o que aquele instante significaria dali em diante. Talvez ela já entendesse, só não quisesse admitir que seria o fim.
Ele a olhou, calado, sem o sorriso que ela se acostumara a admirar. Depois de tanto tempo, ela havia reencontrado alguém para dedicar as horas mais serenas do dia. Sentia a doce necessidade de amar alguém. “Poucas vezes me senti tão confortável no mundo. E, no entanto, sofria por antecipação, o grande vazio que seria o resto da minha existência sem ele”.*
Ela sem cansou de apenas o admirar sem ao menos poder tocá-lo. Era sofrer um sofrimento desnecessário. Pegou a bolsa e simplesmente saiu, deixando para trás recordações de momentos que nunca existiram e talvez nem existirão.
“Quando estou com você me perdôo por todas as lutas que vida venceu por pontos e me esqueço completamente que gente como eu, no fim, acaba saindo mais cedo de bares, brigas e de amores para não pagar a conta”.*

* Cauby sobre seus dias com a inconstante Lavínia em “Eu Receberia as Piores Notícias de Seus Lindos Lábios”, de Marçal Aquino.

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